O corpo ou a alma?

O meu ceticismo ou a vontade de querer ser cético esbarra numa compilação de várias possibilidades prós e contras sobre o que devo dar prioridade: a alma ou o corpo? Como manter um equilíbrio?

Mas, primeiro é preciso compreender melhor alma e corpo. A alma é o que habita o corpo. E pode ser que o que a razão acredita enquanto alma, é abstrato, sem padrão físico ou prova real. Acredito em ações que se identifique como manifestação da alma. Mas percebo algo mais adiante.

É também a transparência do caráter, uma personalidade formada e valorizada de acordo com as experiências adquiridas, a partir de contatos realizados com o mundo real e subjetivo. Pode ser antropologicamente falando ou de culturas individuais.

É o contato com os desconhecidos órgãos dos sentidos distribuídos entre pessoas das mais diversas culturas (cada pessoa, um mundo), somado às manifestações das mais variadas linguagens artísticas e culturais, por exemplo.

Sem contar o contato com a natureza. Uma paz gratuita e genuína, cujos benefícios são os mais realistas e incontestáveis em seu resultado final. A alma acumula as mais incríveis experiências de vida e quando bem cuidada – como dizem? “menta sã, corpo são?” – pode se levar ao equilíbrio do corpo. Tenho dúvidas.

Mas e o corpo? Quando bem cuidado, também poderá cultivar o equilíbrio da alma? Talvez. É difícil, mas deve haver um equilíbrio entre os dois.

No cuidado com a alma, no incentivo da profunda percepção, no contato com o interior, a partir de alternativas psicotrópicas (sem entrar no mérito da licitude), em que se sente, por meio de experiências, o sangue e o ar reflexivos que percorrerem o território carnal, em que se dá a manifestação da intenção do olhar adiante, pode-se prejudicar o corpo. Colocá-lo à prova de resistência, a qual não sabemos exatamente quais são os seus limites.

A psicotropia e a lisergia são responsáveis pelo maior contato com o interior. O autoconhecimento, a alma, porém, estes dois estados físico-psicológicos, colocam em xeque o nosso templo: O corpo. E o corpo é só. E os remédios que a alma precisa ou tem como alternativa recorrê-los, a máquina não suporta.

Mas o que o corpo precisa para aguentar o processo de uma tal globalização que estagna a mente, a alma não suporta, apenas finge. E de tanto partir para um remodelamento ético, para uma possível adaptação a esta sociedade atual, pode-se esperar algum resultado “positivo”, mas que a alma também não suporta. Uma academia de ginástica, por exemplo. A pura e simples atividade física.

A vontade é de encontrar as cores do nada e navegar nas profundezas da mentalidade de um animal livre, onde a maior doença que o mundo já adquiriu (a tal inteligência) não se recorda mais dessa manifestação natural, um possível instinto.

O ser humano incomoda, porque perdeu o instinto e é superior por convicção. Mas também, por conseqüência, covarde, pois se aproveita de sua superioridade para destruir, eliminando espécies (inclusive a própria) de seu habitat.

Ainda prefiro viver para não perder a alma, mas se eu provasse que esta tem o mesmo valor que o corpo, daria carona a ela com este para a eliminação de mais um qualquer de minha própria espécie: Eu.

Se o ser humano se auto-destrói, que diferença eu faria no cotidiano do mundo? Eis aqui a minha alma para mudar o meu microcosmo.

Assim, sendo otimista em palavras, posso atingir um ser humano ao lado, gerando bom senso, mas sem se preocupar com isso, pois ele, o homo-sapiens, pode estar tentando me eliminar do seu caminho, já que adquiriu outros princípios, como por exemplo o da destruição ao seu redor, sem perceber a eliminação dele mesmo.

E que diferença eu faço para ele? E que diferença ele faz para mim?

O meu complexo (corpo e alma) em vida pode estar realmente incomodando.

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