A urgência do meio urbano

É mais do que sabido que temos a obrigação de preservar, harmoniosamente, o ambiente onde vivemos. Mas quando se fala em “meio ambiente”, liga-se o termo diretamente à natureza, às florestas, mas nunca ao asfalto e seus transeuntes.

A importância que se tem de preservar o meio natural, que nos serve principalmente de refúgio anti-urbano, é tão grande quanto a preservação do meio urbano.

Já estamos com os ouvidos e olhos calejados (justamente eu diria) de tanto ouvir e ler sobre o caos vital que é causado pelo desmatamento, pela poluição das águas e do ar, pela extinção de animais silvestres e principalmente pela invasão desenfreada e (ir)racional do ser humano ao mundo verde, o responsável pelo equilíbrio dos seres vivos, nem tanto os seres humanos, já que o ser humano, poderoso que é, nasce, empesteia, vive e morre como uma praga que assola a beleza de sua própria vida.

Acontece que o meio urbano que construímos e que aqui viemos e lamentamos, passa por certas urgências inadiáveis ao cotidiano. Aqui nascemos, procriamos, destruímos, invadimos, sujamos, limpamos com a própria sujeira (quer coisa mais suja e química que produto de limpeza?), geramos poluição sobre poluição ao ponto de, às vezes, eu parar e pensar: “Como é possível eu ainda respirar e beber água num mundo como esses?” – Tudo em seu artificialismo urbano.

O que venho defender aqui, não é a volta do mato ou da vida selvagem ao nosso redor, o que obviamente é impossível. O que pleiteio são atitudes humanas e racionais direcionadas e imediatas para que se mantenha o caos, humanamente gerado, em harmonia, estabilizado, com soluções simples, práticas e rotineiras ao alcance de qualquer pessoa. O que é possível e ridiculamente fácil, ou seja, está ao alcance da consciência de qualquer um.

Atitudes

As empresas DEVEM orientar seus “colaboradores” (palavrinha da moda e que pouco funciona) de forma OBRIGATÓRIA à uma simples reciclagem de materiais básicos e usados no dia-a-dia, como por exemplo, o papel e o plástico. E se não o fazem devem ser multadas e até sofrer retaliações comerciais em seu mercado atuante.

As grandes empresas também devem tratar o seu esgoto, não poluir o ar, não adquirir produtos poluentes para a propaganda, devem aplicar a energia sustentável. Devem ainda ser responsáveis pelo próprio lixo gerado, recebê-los de volta do consumidor final para o devido tratamento ou encaminhamento à estações de reciclagem.

É necessária uma lei dura e que funcione com uma fiscalização implacável, e que devem ser aplicadas. Sabe-se que muitas empresas recebem incentivo fiscal em troca de uma pseudo-preservação do meio ambiente, ou por aparar a grama de um pequeno canteiro esquecido, sendo que tal prática é uma obrigação e não uma gentileza.

Do ponto de vista governamental, o exemplo deve partir de casa. É nas escolas que os trabalhos começam. É no atendimento a quem sustenta os órgãos públicos que a educação e a orientação se inicia. É exigir de todas as escolas que não só ensine o aluno a plantar a sementinha na terra, pois ele não vai fazê-lo “quando crescer”.

A escola deve ensiná-lo que ele é um ser humano (urbano), um animal altamente poluente, perigoso para ele mesmo e que só poderá ser um cidadão de bem, quando souber preservar o próprio meio em que vive, adotando ações mínimas que manterão uma harmonia viva, um dia, se ele sobreviver ao meio poluído em que constrói.

A coleta de lixo tem que ser coletiva, seletiva e gratuita (me dá vergonha de falar algo tão óbvio). Não se deve gerar gás algum e temos condições mínimas para isso. O reciclável gera riqueza e emprego para o próprio estado.

Práticas urgentes, como a construção massiva de ciclovias, investimento pesado em trens metropolitanos, ônibus movidos a gás não poluente ou elétricos, coleta seletiva, despoluição dos rios, e claro, EDUCAÇÃO, são primordiais para um governo que não seja somente político, mas sim, justo com as necessidades da população que o elegeu.

Para o cidadão, a preservação e a salvação do meio em que se vive deve estar praticamente em seu DNA. É acordar pela manhã e praticar, quase que descompromissadamente, o ato da defesa de seu meio.

É separar o lixo, é pré-gerar adubo, é consumir água potável somente para beber, é usar energia sustentável, é usar combustível não-poluente, é eliminar os seus próprios vícios urbanos das ruas, como fezes de cachorro, bitucas de cigarros, goma mascada, papel de bala e tantos outros micróbios-fúnebres-escatológicos-gigantes que deixam o nosso ambiente mais feio, mais fedido, mais nojento.

A hora é agora, é urgente, é para ontem. Isso sim deve ser refletido agora mesmo. Devemos olhar para o que estamos fazendo, olhar ao nosso redor e parar de ficar reproduzindo discurso bonito.

Chamar a atenção do colega ao lado, sem medo de melindres, abaixar e recolher, arremessar no latão aquilo que lá cabe. Levar a proposta ao chefe, neste caso, não deve haver superioridade, não deve haver limite algum para que as ações devam se inciar agora mesmo. Não devemos avaliar, mas sim, praticar.

O seu meio é a sua casa. Se você é urbano, a culpa também é sua. Redima-se, pratique a harmonia dos meios para que você viva melhor, que tal?

Deixo aqui ainda a Carta da Terra para download e reflexão.

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