Corrupção enquanto rotina do brasileiro

Cá estamos nós pedindo, implorando, gritando, indo para as ruas e quebrando tudo pelo do fim da corrupção política. Justo. Cansamos desta merda toda. Não aguentamos mais ser enganados a troco de nada.

Se ao menos fôssemos enganados em troco de serviços públicos de qualidade…Op’s, não! Nada disso. Sociedade justa é uma sociedade sem corrupção.

Os canalhas se acostumaram tanto a nos roubar que muitos deles já encaram os desvios de verbas e os tráficos de influência como benefício da “profissão” política. Aquela que deveria ser uma prestadora de serviço público, tornou-se uma das profissões mais odiadas do Brasil, claro, pela população, não tanto assim, pelo “profissional do ramo”.

A corrupção é uma grande escola, e de lições tradicionais e acadêmicas, eu diria. Porque com a era da informação, é preciso se atualizar para enganar o povo.

Se eu tivesse escrevendo este texto há um ano atrás, não estaria dizendo isso. Diria, claro, que é muito fácil ser corrupto e nada que um ensino mediano não pudesse formar um verdadeiro “homem de negócios”.

Viramos a página. Ou estamos virando. Mesmo assim, por dentro das entranhas do quartel general abstrato e intocável chamado “política”, os doutores desviantes continuam a nos saquear nas caladas da noite e do dia. Enquanto protestamos, pode ter certeza, a grande academia funciona.

O fato é que, estamos aqui indignados, mas ao mesmo tempo absorvidos pela grande universidade. No dia a dia. Hora um, hora outro cidadão, coloca o seu aprendizado indireto em prática.

É no troco do supermercado ou no boicote do colega ao lado. Na academia (de ginástica), no trânsito, no banco, na praça, na cidade ou na fazenda, burla-se corriqueiramente como se troca de roupa, como se bebe água. É fácil ser corrupto. Difícil parece ser largar esta vida.

É como uma dependência química que talvez, algum psiquiatra não consiga encontrar o diagnóstico. Uma patologia social, com cura a longo prazo, por meio de renovação das pessoas, durante gerações e gerações ou por extinto mesmo. Vai saber.

Darcy Ribeiro, em  “O Povo Brasileiro”, relatou o que a disciplina de História da escolinha (ai, a nossa educação…) não nos ensinou: quando Portugal quis se instalar enquanto sociedade neste país e ninguém da “alta casta” (de índole igualmente imunda) se via tentado com a ideia de viver aqui, o reino tratou de encher seus navios oficiais com a mais perversa gente para que aportasse por aqui.

Embarcações gigantescas e superpopulosas de gente sem-vergonha desceu por aqui trazendo o pior de cada um, entre doenças físicas e morais para arruinar de vez a bela e mansa vida do indígena que já vinha sendo dizimada.

Foi ordenado pelo o então reino em exercício que os amaldiçoados oriundos da então poderosa Europa devastadora, colonizadora, pobre de espírito e corrupta, que os homens estuprassem as já aqui instaladas negras e índias, para que pudessem miscigenar o povo e então formar um próprio povo. Que merda.

Bem, da história que a tia nos contava, mais de 500 anos se passaram e a genética comportamental misturada ao ensino das grandes personalidades eclesiásticas e políticas do alto escalão, deixou-nos a pior herança que poderia nos ter sobrado.

Nós brasileiros, sem culpa, já quase nascemos corruptos num mundo corruptível. Fica difícil se esquivar de cultura secular.

Sabemos sim, de forma rasa e quase concreta, tudo sobre o certo e o errado. Não dar seta ao entrar na próxima rua é errado. Subornar o guarda é errado. Extorquir o cidadão é errado. Devolver o troco que foi nos dado a mais é o certo. Subtrair bens de outrem é errado.

(Confesso que ainda estou tentando evoluir no que diz respeito ao roubo a banco. Não sei dizer ainda se isso é certo ou errado, pelo fato de me sentir roubado pela própria instituição).

Mas subtrair ou destruir patrimônio público ou manipular impostos, é tão errado quanto burrice.

E é aí que entram os professores malignos indiretos em nossa vida. O cidadão percebe a atitude dos caras que deveriam dar exemplo e os imita. Leva isso para o seu cotidiano e acha que é normal.

Um agravante curioso é o cara que é rico e nunca parou para pensar sobre os meios pelos quais isso aconteceu em sua vida e quer ficar mais rico ainda. E não perdoa, passa o rodo em qualquer um, em mim, em você, tira o dinheiro da merenda escolar (só para citar um pequeno exemplo) para ficar mais rico. Percebe a maldade?

O que você faz para não ser corrupto?

É preciso pensar antes de agir em prol somente do seu ego e do seu bolso. Dinheiro é fácil ganhar, o difícil é descobrir como fazê-lo sem prejudicar outrem, que, na verdade, só prejudica a cada um de nós mesmos.

Um comentário sobre “Corrupção enquanto rotina do brasileiro

  1. É companheiro, o foda é pararmos de achar justificativa para roubar e corromper (o patrão ta ganhando muito, o governo cobrando muito, o peão ta trabalhando pouco, a justiça tá prendendo pouco) e começarmos a achar justificativa, olha só, justificativa para ser justo… que coisa!!!

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