Hora de discutir São Paulo

Evento que ocupa diversos espaços culturais na cidade debate espaço público e mobilidade urbana. No Sesc Pompeia estão em pauta os “Modos de Colaborar”, com diversos coletivos na contribuição de ideias

São Paulo se expandiu vertiginosamente no último século. Em termos demográficos, arquitetônicos, comerciais, financeiros e, enfim, urbanos.

E quanto mais pessoas desembarcavam em São Paulo, refugiadas ou em busca de oportunidades, mais a cidade sentia a necessidade do exponencial e não planejado crescimento, para que todos coubessem por aqui e encontrassem os seus espaços e modos de sobrevivência.

Sem que se combinassem entre si, ou que soubessem uma da outra, a ponto de interagirem sobre uma possível proposta de edificação de toda uma metrópole ou a sua transformação como resultado final, pessoas de diversas nacionalidades e de outros pontos do país, construíram esta cidade de forma espontânea e sem qualquer reflexão das frentes política, estatal ou privada, que aqui se instalavam e denominavam esta cidade, em constante curso cosmopolita, como a “terra das oportunidades”.

O fato é que, principalmente da última metade do século passado até os dias de hoje, o capitalismo adotado como forma de economia no Brasil, sem nenhum contraponto humano, levou a sua maior e mais complexa metrópole a se esgotar, no que diz respeito à contingência, ao espaço e à mobilidade urbana.

O crescimento, sendo maior que o (não) esperado, tornou São Paulo uma das cidades mais desiguais do mundo em todos estes quesitos, fazendo com que o fator da má convivência humana levasse, tardiamente, em junho de 2013, milhões de pessoas para rua com reivindicações justas.

As manifestações, lideradas por um grupo que questiona o valor da tarifa do transporte coletivo atual e sugere a sua gratuidade, levaram outras frentes de protestos às ruas, que questionava também a equidade entre os seus cidadãos (quase 11 milhões de habitantes) que circulam por aqui todos os dias, sejam oriundos desta capital financeira do Brasil ou das 38 cidades de seu entorno, para o trabalho rotineiro, ou para o turismo de negócios.

As pessoas perceberam o caos em sua rotina e resolveram exigir e, ainda que com atraso, tomaram a iniciativa, mesmo que de forma tímida, de se “auto cobrarem” pela melhoria na qualidade de vida do paulistano, por intermédio de várias frentes de discussões sobre o “progresso” do cotidiano metropolitano.

E como a melhoria da qualidade de vida nas metrópoles está em pauta nas mais distantes cidades do mundo, e o resultado das discussões sobre este assunto tem alcançado inúmeros resultados positivos, o momento é oportuno para São Paulo experimentar um pouco dessa experiência. Principalmente se for idealizada e sediada por instituições que contribuem efetivamente no modus vivendis do cidadão ativo e participante da vida urbana, numa discussão ampla e que leva todas as questões do modo como se vive na cidade.

Instituições como IAB, Masp, Museu da Casa Brasileira, Praça Victor Civita, Centro Universitário Maria Antonia, Associação Parque Minhocão, SESC Pompeia, Mostra de Cinema Internacional, Projeto Encontros – Estação Paraíso do Metrô, CCSP, CPTM e o Metrô de São Paulo unem suas forças e espaços para que seja viabilizada a X Bienal de Arquitetura, com uma proposta diferente das últimas edições, que contava com um único espaço expositivo, onde o visitante se limitava a contemplar projetos de diversos arquitetos no prédio da Fundação Bienal.

Nesta edição, ela acontece em rede e prevê discussões inclusivas sobre o tema Cidade: modos de fazer, modos de usar, o que em seu próprio título, remete à participação mais popularizada do assunto “qualidade de vida na metrópole”.

A Bienal de Arquitetura de São Paulo é realizada há 40 anos pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e dessa vez pretende refletir sobre a cidade contemporânea, incorporando a dimensão urbana na sua própria estrutura espacial.

Assim, ao mesmo tempo em que visita a exposição, o público tem a experiência viva da cidade de São Paulo. A escolha dos locais que compõem a rede segue dois critérios básicos: a qualidade dos espaços, na relação entre arquitetura e uso, e a sua acessibilidade, por meio da articulação ao sistema de transporte de massa da cidade.

Assim, é possível visitar toda a X Bienal a partir um sistema multimodal que tem o metrô como espinha dorsal.

A rede

A rede de espaços expositivos é composta pelos seguintes pontos: Centro Cultural São Paulo, SESC Pompeia, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Museu da Casa Brasileira, Centro Universitário Maria Antônia – USP (CEUMA), Praça Victor Civita, Associação Parque Minhocão e Projeto Encontros – Estação Paraíso do Metrô. A rede expandida inclui Casa de Francisca, Casa do Povo, Cemitério do Araçá, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes,,Galeria Choque Cultural, Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, Instituto de Arquitetos do Brasil-São Paulo e Teatro Oficina.

Na matéria publicada no caderno Ilustríssima da Folha de São Paulo, do dia 6 de outubro de 2013, os curadores Guilherme Wisnik, Ana Luiza Nobre e Lígia Nobre refletem logo no início do texto que “as cidades estão hoje no centro da discussão mundial. O planeta se urbanizou de forma rápida e avassaladora, as metrópoles incharam, tornaram-se infinitamente mais complexas, e a ciência responsável por refletir sobre esses processos e regrar seu crescimento – o urbanismo – entrou em colapso. Por onde seguir?”

Por fim, a X Bienal de Arquitetura é um evento de grande porte que deve marcar a história da cidade, ao passo que reflita em ampla escala o cotidiano do cidadão, para que este se sinta inserido efetivamente ao sistema urbano de vida, oferecendo a São Paulo a chance de ser uma cidade melhor para se viver, capaz de influenciar outras cidades em emergência, no Brasil e em outros países.

Depende mesmo, além de política voltada para pessoas, de cada indivíduo, sendo que este, não só ajude a construir, mas a preservar e usar a cidade de forma consciente e agregadora da boa convivência entre todos os cidadãos.

Ações
Além desta edição da Bienal, outros passos elevam o apoio do Sesc à melhoria da cidade, por intermédio de uma plataforma prática, gratuita e interativa.

O portal SampaCriativa, que é uma idealização do SESC, SENAC e FECOMÉRCIO, recolhe depoimentos e ideias de cidadãos que se interessam em melhorar a cidade. Trata-se de um ambiente digital colaborativo com o objetivo de reunir propostas de melhoria para São Paulo.

Estas propostas já estão sendo encaminhadas, formal e semanalmente, aos poderes Legislativo e Executivo da cidade. Para atingir seu objetivo, a plataforma conta com uma equipe de curadores, jornalistas e analistas de redes sociais que atuam sob a coordenação conjunta das equipes do Sesc, do Senac e da Fecomércio, além das empresas Garimpo de Soluções e Umana.

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