O Supermercado Pedreira

Composto de uma única loja, esse recinto de compras do extremo sul da cidade de São Paulo fica localizado no bairro Santa Amélia, na Estrada do Alvarenga, uma via mal sinalizada, geralmente congestionada, que demarca, de um lado, os bairros de um subdistrito de Santo Amaro, a Cidade Ademar, composta pela Cidade Julia, Jardim Luso, Jardim Miriam e Jardim Santa Terezinha e, de outro lado, Eldorado, Jardim Apurá, Mar Paulista, Jd. Guacuri, Balneário São Francisco e Jd. Santa Lúcia do Guacuri.

O supermercado Pedreira fica ao lado de uma represa (Billings) tradicionalmente imunda, porque a região só passou a receber saneamento básico parcial e coleta de lixo irregular no final dos anos 80, início de 90.

Seus principais produtos poluentes são: esgoto, lixo de qualquer espécie, entulho, corpos de animais e, antigamente, até defuntos. Quase à sua frente, situa-se um atual “Parque Sete Campos”, o antigo e simplesmente “Sete Campos”, símbolo de disputas de futebol de várzea há mais de 40 anos.

O espaço hoje não é nada. Só fechado (em 2010 para uma reforma duvidosa que nunca terminou) e cortado por um córrego imundo que desemboca em um braço desta deplorável represa.

 

Pedreira

O público que compra no supermercado Pedreira, claro, é o da periferia, porém, há relatos pessoais de que habitantes de classe média alta, residentes na região do bairro de Campo Grande, próximo à região nobre de Santo Amaro, frequentam este supermercado, afim de economizar.

Há 20 anos, este mesmo supermercado contava com uma loja modesta, neste mesmo terreno já expandido diversas vezes. Continha pouquíssimos funcionários e em 10 anos expandiu vertiginosamente em tamanho e número de colaboradores, agora, uniformizados.

Não havia estacionamento, tampouco 10 caixas funcionando ao mesmo tempo, qualquer que fosse o dia e o horário.

Esta loja hoje, conta com 42 caixas funcionando aos finais de semana, o dia todo, desde às 8h da manhã. Sábados e domingos são os dias de “pico”, de grande movimentação entre as gôndulas com suas ofertas mais que tentadoras, todas abaixo dos maiores supermercados de grande rede, como Carrefour e Extra, por exemplo.

Carnes e queijos igualmente frescos, frutas, verduras e legumes repostas de hora em hora, fazem complementar um mundo à parte no meio de uma selva de barracos e casas nada arquitetadas.

Caixas simpáticos(as), empacotadores prestativos, que carregam a compra de uma senhora até a sua carona, enquanto oferecem um “joinha” ao vendedor da barraca de sorvete, que não é do McDonald’s, mas faz mais fila que os dos shoppings da cidade.

Não me lembro de fazer compra por lá e demorar mais que 10 minutos em uma fila que possui muitas pessoas com os carrinhos transbordados de compras fúteis, guloseimas e o arroz com feijão de cada dia.

Famílias gordinhas, galera de churrasco, vegetarianos e fanáticos por pão quentinho feito na hora marcam sua presença neste pequeno paraíso das compras.

O estacionamento tem todo o tipo de carro, e recentemente compraram um terreno ao lado para expandir as vagas para os clientes, além de terem construído um subsolo para expandir ainda mais esta realidade do consumo mais venerado pelo brasileiro, principalmente se este for pobre, ou, como gostam de chamar por aí, “emergente”.

Imagine você, encontrar uma raridade em comportamento no meio de uma quebrada que político nenhum passa perto para não adoecer. Imagine você, ver gente carregando sacolas de pequenas compras nas lotações desta – só mais uma – área do extremo sul de São Paulo.

Dizem, em tom de brincadeira de mau gosto, que “pode ser carga roubada” o que “eles” vendem. A brincadeira se justifica, claro.

Quem nasce naquela região tem estampado na cara o código de barras – que não se lê em sistema de caixa algum – de quem tem qualquer tipo de envolvimento com o condenável, o marginalizável. Este estigma ainda não foi resolvido por você, raro leitor.

E foi numa tarde deste último domingo que eu compareci por lá para comprar cerveja, que vi o socialismo acontecer, e que vem acontecendo todos os dias, sem ninguém perceber, nem o consumidor, nem o empresário (talvez).

A felicidade é estampada no rosto do paulistano que  mais pasta nessa cidade, porque é ali, naquele momento sublime de poder comprar quase tudo o que se quer para sua família, que ele sente o respeito, assim como o calor que faz naquela loja numa tarde de 32 graus.

Semana que vem, estarei por lá, só para sentir essa brisa do bem acontecendo.

3 comentários sobre “O Supermercado Pedreira

  1. Igualzinho ao Supermercado Andorinha na ZN de Sampa. Começou com um mercadinho, na periferia da ZN, hoje é um Hipermercado com um pequeno shopping anexo, mais de 50 caixas e preços muito acessíveis. Vem gente de todo o lugar!

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  2. Agora este mesmo mercado inova mais uma vez e lança uma nova marca: Public. Nosso público, nossa família. Além da nova marca, agora carrega a palavra “Supermercados” numa estratégia de deixar de lado o nome regional e abrir horizonte para outras regiões da cidade.

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