“Carteirada”: a náusea silenciosa

 Uma das coisas tristes da nossa profissão (a de comunicador, mas em especial a de jornalista), é a famosa “carteirada”. Ela é muito comum em outras ocupações também, principalmente quando envolve leis.

A “carteirada” é a mistura de vários aspectos psicológicos negativos (desafio qualquer pesquisador a me provar o contrário) na vida daquele que apela para a sua arrogância, resultado final e nome correto para esta expressão que vamos tratar aqui.

Insegurança. À procura da autoafirmação, a frase que cabe é: “você sabe com quem está falando?”. É tradicional. O receptor desta mensagem não reclama. Apenas se demonstra condescendente, à espera do final daquele monólogo angustiante, geralmente acrescido ao “bafão” que o protagonista resolve impor.

Falência. Não há quem dê “carteirada” que não esteja falido.  Os mais espalhafatosos têm até credencial. Compram suas carteiras de couro com “distintivos” cafonas e saem por aí, distribuindo aquilo que é a origem deste nosso texto. Ele quer se sentir “o cara“.

Diferentemente da boa personalidade, “o cara”, de verdade, não precisa disso. O seu sorriso é o cartão de visitas. Ele nada precisa explicar e então percebemos a existência de uma grande pessoa.

Dissimulação. Um nome, no cartório, é só um nome. Mas o sujeito finge que – e por isso consegue um respeito forçado – acredita que aquele nome é mais que todos os nomes de todos os cartórios do mundo… “Desculpe, não me lembro…”, está feita a arruaça.

Com tanta gente dando “carteirada” por aí, proporcionalmente (e infelizmente), há muita crença Naquele que nada é. Exceto, dentro de seu próprio mundinho idealizado.

Em tempos de discurso de ódio, perseguição e “coxinhisses”, o número de “carteiradas” cresce, porém, juntamente com o combate a tal prática escandalosa, ridícula, baixa e desnecessária.

É uma doença do âmbito das comunicações que invade o dia a dia, principalmente, daquele que é pivô operacional, essencial para o andamento do trabalho, da recepção e, por sua vez, da gentileza.

Não tem atitude mais “coxinha” que a “carteirada”. O silêncio diante desta aberração das relações humanas, ei de ser quebrado! E quem a pratica em minha direção, não ouvirá um “a”, mas pode ter certeza, terá o meu repúdio, a minha roga, o meu nojo.

Vai ter caganeira no trânsito, vai perder o dente da frente em uma reunião de negócios ou a mãe vai contar aquele segredinho para a pessoa errada. Ah, se vai!

E se você tiver um tempinho, vale ganhar uma terapia para ouvir o professor Mário Sérgio Cortella, explicando exatamente, quem é você e quem sou eu:

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s