Como (se) identificar (como) um coxinha

Desde as eleições de 2014, duas frentes políticas populares e superficiais se destacaram: Os “coxinhas” e os “petralhas”. O assunto parece velho, mas ainda movimenta discussões, gerando, ora ódio, ora ignorância, ora “amor”, exceto, tolerância.

Ambas as diretrizes são carregadas de preconceitos, julgamentos e cegueiras. E tem muita gente que veste a carapuça ou aponta outrem sem nem mesmo saber em que direção se enquadra, se é que realmente precisa disso para se “encontrar”.

Resolvi levantar algumas atitudes “coxinhas”como exemplo, que reflete, ainda que indiretamente, as posições políticas de um cidadão.

Antes de tecer exemplos no seu imaginário, um aviso: ser “coxinha” ou “petralha”, não diz exatamente respeito ao salário que você ganha ou à sua condição social, mas sim, estritamente, às suas ações do cotidiano, pois foi daí que surgiu o carinhoso apelido.

Ser coxinha em 40 itens

  1. Dirige na cidade, vê um ciclista e o xinga gratuitamente;
  2. Transfere pontos da multa para a carteira de alguém;
  3. É machista ao extremo. Não sabe lavar uma louça e acredita que serviço de casa é “coisa de mulher”;
  4. Sonega impostos;
  5. É corrupto e quer levar vantagem em tudo;
  6. Acredita que só a sua religião é a correta para a vida de todas as pessoas;
  7. Diz que detesta “viado” e faz piadas sexistas o tempo todo. Mas de vez em quando passa na Indianópolis e fica desejando um “tranvesti”;
  8. É extremamente contraditório na política. É contra “este governo corrupto”, mas defende outros possíveis governos corruptos. Mas tudo isso porque…
  9. Tem como fonte de informação, jornais, revistas e TVs que jogam de acordo com o seu público consumidor há décadas: Veja, Folha, Estado, Globo, Sherazade, etc. Detalhe importante para os jornais: só lê manchetes. Mas tudo isso porque…
  10. Não faz questão de estudar história, muito menos pesquisar várias fontes, antes de compartilhar informações;
  11. Discursinho de ódio atrás da tela, é o pretinho básico. Pessoalmente, paga de civilizado;
  12. Adora dar “carteirada”, mesmo sem ser uma molécula que preste para o ciclo vital;
  13. Suborna guarda. Qualquer tipo;
  14. Odeia pobre, mas dá um real pro mendigo pra pagar de caridoso ou solidário (adoram essa expressão);
  15. Faz piadas preconceituosas o tempo todo (negro, viado, mulher, etc.);
  16. Estaciona na vaga do idoso ou do cadeirante e diz que é “rapidinho”;
  17. Trata mal o garçom ou a empregada doméstica. Adora demonstrar quem é que manda;
  18. Paga mal seus funcionários, adota o discurso de crise, mas não sai de Miami ou do Shopping;
  19. Seus heróis políticos: Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Luis Felipe Pondé, Rodrigo Constantino e os maníacos do sofá, digo, Revoltados Online;
  20. É contra a corrupção, mas engraçado, vai às manifestações com a camisa da seleção brasileira de futebol, da CBF, mais suja que quem o veste;
  21. Acredita que uma pessoa de esquerda, tem que ser pobre e não consumir nada;
  22. Nunca leu uma linha sobre Marx, mas odeia esse petista(?);
  23. Odeia índio. Mesmo sabendo bem pouco sobre história do próprio país;
  24. Tem medo dos haitianos, bolivianos e peruanos roubarem seu emprego. Mas ama europeu e americano mandando nele e ditando suas regras de consumo;
  25. Acredita que, quem diverge de sua opinião é “petralha-vai-pagar-imposto-filho-da-puta-a-culpa-é-sua-de-ficar-sustentando-vagabundo”;
  26. É a favor da redução da maioridade penal, mas se o seu filho cometer um crime comum, por exemplo, dirigir com 17 anos bêbado e atropelar alguém, “não-pera-quero-um-advogado-o-menino-não-sabia-o-que-estava-fazendo”;
  27. Regular o consumo da maconha? Nem pensar! Mas se for rolar uma festinha e tiver um “E”…
  28. Adora militares. Tira até selfie. Se for corrupto, então, uau!
  29. Acredita piamente que este governo Dilma é de esquerda e, por isso, odeia a esquerda;
  30. Ficou rico durante o governo Lula, mas nunca vai admitir isso;
  31. O problema dele é o PT. Não interessa se o prefeito ou o deputado é bom e tem defendido os interesses dele mesmo como cidadão. Ele quer ser contra. “É petista? Odeio e quero fora.”;
  32. Agora que o Papa é assumidamente socialista, ele nem toca no assunto. Deve ter parado de ir à igreja;
  33. Admite-se coxinha só porque não votou no PT nas últimas eleições. Acredite, tem gente querendo entrar para o clube;
  34. Acredita que petralha não faz nada disso e por isso quer a exclusividade em ser o que se é;
  35. Pensa que é “de direita”, mas na verdade, não sabe exatamente o que isso significa. Ele quer ser do senso comum, pertencer à ordem da oposição, revoltado. Imagine se uma pessoa dessas já ouviu falar de João Guilherme Merquior (crítico do marxismo, defensor do Estado – que coisa!);
  36. Sempre coloca a culpa no governo pelas cagadas da sua vida;
  37. É mais preocupado com preço da gasolina do que a falta de água;
  38. Lugares preferidos: Disney, Miami e… Disney, Miami. Nordeste, só se for em um resort bem fechado e que não tenha contato com nenhum tipo de gente nordestina;
  39. Um coxinha sem carro, não sai de casa… De vergonha;
  40. É altamente poluente. Papel no chão, carro, carro, carro. Reciclar, nem pensar.

Em suma, a expressão coxinha foi feita para definir uma pessoa com atitudes ruins, mesmo. O curioso é que tem muito petralha (coxinha), que as mantém.

E não foi a internet que deixou as pessoas “acoxinhadas”. Elas sempre foram individualistas, egoístas e desleixadas com o coletivo. Dizem que rezam, mas o mandamento “amar o próximo como a si mesmo”, jamais é citado.

Se você não se identificou com nada do que está aqui e simplesmente vota em um partido diferente que não o PT, fique tranquilo, você é só um oposicionista ao governo e tenho certeza de que é uma pessoa gentil, honesta e que não boicota o meio social em que vive.

Mas se você é contra o governo, mesmo não adotando nenhum desses quarenta itens e ainda compactua (ou finge que não vê) com o que há de pior na política do seu partido, seja qual for, desculpe-me, mas você tem talento para ser um coxinha dos bons.

Diferentemente da “reportagem” da Revista São Paulo, da Folha, que trata “coxinhas e petralhas” como um estilo de vida de forma “lúdica-juvenil”, apurei que essas atitudes só fazem mal à sociedade, e ter orgulho disso tudo é bem pior que o próprio comportamento.

Agora vá lá, vista a sua camisa e siga a sua luta, amigo! Você merece e pode fazer esse país melhor.

2 comentários sobre “Como (se) identificar (como) um coxinha

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