Um aceno sincero aos blocos de São Paulo

Quarta-feira de cinzas. Vale sim, textão sobre o carnaval e o comportamento da cidade

Há quem não goste de carnaval. Eu, não gosto. Mas o que eu não gosto, no carnaval? A globeleza, a transmissão ao vivo dos desfiles e os eternos shows de axé na Bahia que ganham cobertura total nos canais de TV. É gosto. E não se discute.

Mas eu, enquanto paulistano, na verdade, fora desse mundo citado acima, sou mesmo é apaixonado pelo carnaval, e dane-se o que ele significa. Depois de tanto tempo trabalhando aos finais de semana (e na tal da festa da carne) pude curtir os quatro dias com uma certa felicidade.

Já não assisto TV aberta há muito tempo, então, não me incomodam nenhuma dessas transmissões. O coração foi voltado para o tal dos blocos de rua que São Paulo aprendeu a fazer.

E mesmo tudo sendo difícil nessa cidade, as coisas aconteceram, e veio gente de toda ponta para brincar, fantasiado ou não, a alegria da tomada da rua. Dos inúmeros blocos que tomaram todas as regiões da cidade, fui a três e achei foda, divertido, pacífico.

Houve quem me dissesse que “eu poderia viajar, mas vou ficar para curtir a cidade, os bloquinhos…”, sendo que, há dez anos, era comum ouvir em tom de desespero “eu preciso viajar, não aguento essa cidade”. Que coisa.

A mudança de comportamento se deve a vários fatores que nem cabem aqui, mas o primeiro, que me vem com urgência, é o problema do deslocamento. Sair ou chegar a São Paulo é tão difícil e caro quanto se locomover dentro dela.

Problemas relativos à superlotação acontecem em qualquer festa. Afinal de contas, nós gostamos mesmo é lotar os lugares. E ainda estamos num momento de aprendizado, sobre como lidar com isso.

As intempéries (que eu não presenciei nenhuma) das grandes movimentações de público, infelizmente acontecem e refletem muito sobre como a educação nos é oferecida. Mas estamos mudando, porque tem gente que quer mudar.

Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Luiz do Paraitinga, são cidades que eu não conheço em época de carnaval. Mas dizem os amigos que as visitam que são lugares fantásticos para se curtir a rua. Há quanto tempo existe isso nessas cidades? 100 anos? 50?

São Paulo deve ter cinco anos, com essa coisa de bloco de rua, um mais divertido e peculiar que o outro. Rock, punk, brega, samba, maracatu, diverso e cosmopolita como a metrópole se propõe ser.

Ver moradores de prédios acenando, jogando confete e serpentina nos foliões, me dá uma esperança de que estamos, aos poucos, aprendendo a ser tolerantes e a dividir o espaço público. Que me perdoem os haters, mas esse ano nós fomos fodas. São essas coisas que fazem um paulistano sisudo e cansado como eu, querer ficar mais carnavais por aqui. #Valeu

Um dos mais de quinhentos blocos da cidade de São Paulo
Um dos mais de quinhentos blocos da cidade de São Paulo

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