Foco na missão: perfil e entrevista com Rashid

Rashid: palavra de origem árabe que significa “justo, honesto”. Mas é também a alcunha artística para Michel Dias Costa, rapper paulistano de 28 anos e 15 anos de carreira

Em uma segunda-feira de tarde ensolarada, marcada pela alegria juvenil de um poeta urbano, claramente feliz ao receber outro ser urbano de mochila nas costas – após atravessar a cidade de sul a norte em pouco mais de uma hora e meia de viagem de transporte público –, acontece um encontro de ricas prosas, para falar de um assunto que interessa a ambos e a um número expressivo de fãs.

No início de uma avenida “ladeiroza”, sou recebido primeiramente pela mulher do jovem a ser entrevistado, Daniela Rodrigues. Adentro o sobrado claro na região de Lauzane Paulista, e a segunda etapa dos cumprimentos de boas vindas é concluída pela assessora de imprensa. Na sequência, três garotões ao maior estilo skatista, cada um deles debruçado ao seu notebook, trabalhando, recebem, com uma simpatia efusiva, a visita do “patrão”: “E aí, beleza?”.

Água para o viajante acompanha o sorriso do anfitrião. Em seu home studio (ou escritório, como Daniela prefere chamar o espaço), no andar de cima do sobrado, onde Michel gosta de se concentrar para compor e experimentar as bases que estarão nos discos e nas ruas, sentamo-nos para conversar de forma descontraída. Dali em diante, percebi o quanto é bom falar sobre rap, música e seus desdobramentos.

Michel, agitado entre uma resposta e outra, mostra-se otimista e determinado, como promete a expressão criada por ele mesmo: “Foco na missão”– que já virou marca de seus shows, dos bonés que comercializa e que, segundo ele, significa “levar a mensagem que a gente acredita para as pessoas e colocar o rap em um patamar de grandeza na música popular brasileira”.

Rashid começa a me contar que antes de arriscar suas próprias letras “queria mesmo era ser grafiteiro”, mas aos 12 anos de idade já escrevia suas rimas, abordando política, mesmo “sem conhecer patavinas sobre o assunto”, sonhando, um dia, poder subir ao palco.

Na época em que morou na cidade de Ijaci (MG), próximo a Lavras, região de Ouro Preto, entre 13 e 17 anos de idade, chegou a grafitar na rua, enquanto pensava que as frases que lia nos muros eram dos próprios grafiteiros. Depois, descobriu que os versos eram de rappers, passando então, a criar seus próprios trechos de poesia suburbana, que mais tarde se tornariam letras para serem musicadas.

Ainda na adolescência, integrou dois grupos formados por amigos, passando assim, a compor com mais frequência. Aos 16 anos, já participava de batalhas de freestyle, chamando a atenção de MCs mais experientes. Ele conta que “a parada das rinhas [dos MCs] veio mais tarde, em 2006 (…) e numa segunda edição, coincidentemente quem ganhou foi um tal de Emicida [um dos principais nomes do rap brasileiro, atualmente]. Foi lá que eu o conheci. Eu e o Projota – meu amigo de infância – começamos a comparecer a esses encontros. Foi aí que nasceu a amizade dos três, na batalha do Metrô Santa Cruz”, diz-se das mais reveladoras “batalhas de rimas” do Brasil (ambiente comum para quem pretende ser um grande rimador), de onde também foram revelados nomes do gênero, como Rael e Criolo.

O rap, sempre atuando de forma independente, ganhou mais popularidade nos últimos dez anos. Não há casos de grupos de hip hop brasileiro que tenham se vinculado a alguma grande gravadora. Racionais MCs, a banda mais popular do gênero, encabeçou o sucesso de outras anteriormente consideradas menores.

Rashid, um dos rappers que comanda essa linha de frente, diz que recentemente recebeu proposta de uma gravadora e distribuidora, mas relata certo “ciúme” do que já foi criado por ele e confessa que “às vezes faz falta ter alguém que pudesse investir mesmo, porque eu tenho muita ideia anotada e que não consigo realizar. Eu não tenho dinheiro para produzir tudo – CD, camiseta, música e clipe – então, um monte de ideia morre ou fica anotada, para um dia, quem sabe em 2025 [diz sorrindo], a gente consiga colocar em prática. É tudo concentrado na gente. Imaginamos: ‘como uma gravadora faria para fazer tudo isso?’”.

O gênero cresceu, além de tudo, profissionalmente. Vendas de discos, camisetas e acessórios, aproximação de fãs e shows lotados – dos centros culturais aos festivais de rua – mostram-se uma realidade comercial viável. Michel me conta como pensou com Daniela, por exemplo, o lançamento do último disco: “O que uma grande gravadora faria? O que o Jay-Z faria? Pensamos em tudo, nas ações de marketing e ainda mais. Pode ser que uma gravadora nem trabalhasse dessa forma. A gente até podia colocar na rádio e pagar jabá [prática usada para ‘compra’ de espaço em rádios], mas isso a gente não faz, então vamos espalhar o máximo que a gente pode”. Se ele e sua mulher se consideram bons empreendedores? “Acho que sim. Obtivemos sucesso dessa forma e tem muito mais para crescer”.

A internet, uma das principais responsáveis pela alta visibilidade dos novos nomes do estilo musical periférico, foi e ainda é parceira de Rashid, durante todo este tempo de produção.

O êxito da carreira de Rashid é endossado pelas suas redes sociais – Facebook, Twitter e Instagram –, na expressividade de seus números: mais de um milhão de “likes”, 179.000 e 90.000 seguidores, respectivamente. Ele está à frente de suas publicações online, mesmo Daniela tendo breves participações. Esta me conta que já venderam em torno de 30 mil discos físicos e já perderam a conta dos downloads: “O Que Assim Seja teve 70 mil na primeira semana, o Confundindo Sábios também tem números parecidos”.

Enquanto isso, Racionais MCs, ícone máximo do rap no Brasil, com 20 anos de carreira, acumula 1,5 milhão de discos vendidos, além dos quatro milhões de cópias piratas. O grupo conta com cinco milhões e meio de “likes” no Facebook, 103 mil seguidores no Twitter e quase 35 mil no Instagram.

Rashid não é só um nome artístico, é uma equipe, uma empresa que funciona com o espírito da periferia, mostrando-se muito produtivo na especialidade de mobilizar jovens. Daniela Rodrigues, diz que o rapper é focado em sua missão e não é dado muito ao lazer, “está sempre trabalhando, escrevendo, fazendo instrumentais ou gravando guias no home studio, não para”.

O rapper segue ainda fechando parcerias com outros nomes importantes do gênero musical como Emicida, Kamau, Projota, Rael, Tássia Reis, Flora Matos, Lurdes da Luz, entre outros. Afirma que as aproximações entre rappers “favorece o movimento e fortalece o gênero”.

Carrega em seu histórico shows lotados, em várias cidades do Brasil, marcando presença em grandes eventos como Virada Cultural, Circuito Cultural Paulista, Circuito Sesc de Artes e apresentações no South by Southwes (SXSW), um dos maiores festivais de música e tecnologia do mundo, que aconteceu no início de 2014, em Austin, capital do estado do Texas, nos Estados Unidos.

Com a agenda cheia desde o lançamento de sua última mixtape, Rashid segue “confundindo os sábios” e sem perder o “foco na missão” pelas cidades brasileiras por onde passa.

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Extras da entrevista

Pergunto da chancela que os pais lhe deram para continuar apostando no RAP: “Começou a rolar um lance de, ‘não, está dando certo’, foi quando começou a entrar um dinheiro, daí a família disse ‘ah, tudo bem’. Acredito que eles não estão errados em resistir, mas quando começou a rolar – eu era ligeiro – e até esses dias eu falei numa palestra, ‘o dinheiro que eu pegava eu não gastava com roupa, roupa de rapper e tal’, o primeiro dinheiro que eu peguei, um dos primeiros cachês, tipo uns R$ 150,00, eu cheguei em casa e falei para minha avó, ‘vó, hoje tem pizza’, sabe? Esse tipo de coisa que eu fazia. E eu disse na palestra ‘mano, você tem que mostrar para a sua família que você não está pensando só em você, você não está fazendo a parada de molecagem [irresponsavelmente], não estou de brincadeira, indo lá porque eu não quero trampar [trabalhar], e o dinheiro eu ganho e compro um boné e uma calça mais larga que eu puder e pronto’. Então é uma coisa nossa, é um trabalho, e quando começou a ‘pingar’ dinheiro, eu ia ao mercado, ajudava nas compras de casa, e fui mostrando que a parada era séria, para começar a rolar esse apoio, e a melhor coisa é você ver a sua mãe, o seu pai, sua avó no show e tal”.

Rashid se emociona ao dizer quando vê sua avó, o seu pai e sua mãe nos shows, “meu pai já foi em dois shows, minha avó também, ela estava na primeira fila, minha mãe, como está em Minas, veio esses dias e foi ao show e pôde ver e daí é ‘muito louco’ você ver os seus pais ali, daí você está descontraído no show e você olha para a sua mãe e ela está ali com os olhos cheios de lágrimas”.

“O maior personagem na minha música é a minha mãe, porque a gente foi pra lá [Minas] e ela criou os três filhos, e lá, sozinha, já tinha separado do meu pai, acabou virando uma parada recorrente nas minhas músicas porque é um símbolo de resistência. Ela trabalhava na TELESP [empresa de telefonia do Estado de SP] aqui e foi pra lá para trabalhar numa fazenda de café, como boia-fria. Isso criou uma imagem de heroína para mim. E graças a ela eu estou aqui e meu irmão está aí, querendo ser jogador de futebol, minha irmãzinha está crescendo muito também, então a missão da minha mãe foi muito bem feita.”

“A relação com o meu pai hoje é maravilhosa, no começo do RAP era difícil, por conta do receio e ele dizia ‘vai procurar um emprego, é melhor’ e eu dizia, ‘não, pai, vai dar certo’, então a gente brigava muito por causa disso, mas agora a minha relação com o meu pai está mais tranquila. É que eles [o pai e a mãe] se separaram quando eu era muito pequeno ainda, eu não tinha nem um ano, mas eu sempre o via, independentemente de onde morava. E quando eu morava em Minas, eu vinha nas férias, e foi em uma dessas férias, aqui na Rua Oito da Lauzane que eu conheci o Projota… Enfim, minha relação com ele é ótima.”

Talvez por influência de sua avó, mãe de seu pai e seu avô, pai de sua mãe “que tem uma grande presença também, pelo fato de trabalharem muito”, complementa Rashid. “Eu me lembro de quando meu avô faleceu, há uns seis anos, de me dar uma paranoia de querer ser igual a ele, porque o meu avô não parava de trabalhar, ele estava velho e tinha horta e cuidava o tempo todo. E minha avó, que ainda está viva, ela trabalha bastante, tem 64 anos e tem um emprego, sai de casa todo os dias para trabalhar, cuida de uma outra senhora e tal, por isso são personagens forte para mim”.

Uma curiosidade interessante é o fato de os três garotos, que eram fãs, agora trabalharem com ele. Michel revela que os três formavam um grupo chamado “Bonde do Cartaz, que eles mesmos faziam e iam aos shows com uns cartazes enormes. E uma coisa que acontece é que você acaba conhecendo melhor os fãs que vão a todos os shows. Você faz um show em Santos, a pessoa está lá, você faz no Rio, a pessoa está lá, em São Paulo, a pessoa está lá. Já teve casos de darmos carona para os fãs em van. E com os moleques foi assim, foi rolando uma proximidade pequena no início, daí – você sabe como são as coisas [diz, pensativo]… Um belo dia, postei no Twitter: ‘estou precisando aumentar minha equipe de vendas, alguém se habilita? Chegou uma centena de e-mails e entre esses e-mails estava o e-mail deles, daí falei com eles, como ia ser, porque a gente estava muito no começo, não tinha muito CD ainda, quase não tinha camiseta, mas expliquei que a gente ia construir uma parada juntos e acreditava que se tudo desse certo, lá na frente estariam com a gente também, e veio mais gente, saiu gente, entrou gente, e eles estão aí comigo, desde 2011”.

Atualmente, é perceptível, jovens de outras classes sociais, que não periféricos (detentores do estigma midiático, “emergentes”), em shows de RAP. Muitos jovens abastados e até os ditos “culturetes” ou “hipsters”, o que indica um maior alcance de popularidade no mercado musical. Sobre essa diversidade, Rashid aponta que “é natural que isso aconteça. O RAP é uma música nova, tem 40 anos apenas. Se você for ver os The Rolling Stones já tem 50, então é um caminho natural, eu vi que de uns dez anos para cá isso aconteceu e eu acho muito bom, primeiro porque não dá pra eu colocar limite, para aonde minha música quer chegar. Isso acaba fazendo com que as pessoas vejam e escutem outras coisas, e tem o lance que, ‘ser boy’ também é uma condição mental, porque às vezes o cara tem dinheiro, mas ele não é boy, e às vezes o cara não tem dinheiro e ele é boy, é mais um lance da atitude, do caráter da pessoa. Às vezes ele é boy, ouve um RAP crítico e ele pensa ‘é verdade, não é?’, preciso rever conceitos. Pode ter um lance de conscientização, acho que isso acontece também. Isso quebra uma barreira, aproxima a gente cada vez mais da igualdade e essa sempre foi a luta do RAP, eu jogo a semente e ela vai brotar em quem tiver com o coração aberto.”

Sobre as roupas que o artista usa em seus shows – a moda RAP – pergunto se ele pensa se já conseguiu lançar tendência com a sua marca e sua coleção de roupas e bonés. O rapper prestigia tal fato declarando que “Eu lembro quando a gente lançou a linha de bonés, “foco na missão” e daí eu comecei a vender… daí aparecia dois ou três no show e a gente ficava feliz pra caramba, daí começou a ‘pipocar’ [aparecer muitas pessoas de boné] e aquela fila de gente na frente do palco, todo mundo com boné. Você pensa, ‘caramba, que legal’, e os meninos [os três garotos que estavam trabalhando na sua casa com seus note books] trabalhando muito para vender. Isso acaba lançando uma tendência, porque a gente é o maior representante, o maior modelo da minha marca sou eu, se eu não usar, também não vai vender. Os moleques até me dizem, ‘mano, usa essa camisa aqui hoje, porque está precisando vender’ daí quando acaba o show, vende bastante. Eles estão ligeiros já. Acho que isso, de certa forma prova, essa influencia, é normal.”

“Às vezes a gente vê gente diferente, vestida diferente, mas não muito, porque eu acho que estilo visual também se propagou muito e até o funk aderiu um pouco as roupas do RAP, então o visual já se misturou um pouco. Você não consegue mais olhar e saber quem é quem. E você vê que essa rapaziada também está aberta a se identificar com o seu som, ouvir a parada, comprar o CD, colar no show. Já aconteceu de eu formar casais no show, o moleque vem e pede pra eu mandar uma mensagem para a menina que ele conheceu, o moleque da favela, a menina do Morumbi.”

O prodígio rimador passou pelas principais periferias da cidade de São Paulo, antes de morar em Minas, como esclarece: “nasci aqui no Lauzane, depois me mudei para a Zona Sul, Palmares, depois Cocaia e depois Zona Leste, Jardim São Carlos e Arthur Alvim, onde a minha família materna habita, e quando eu fiz treze anos, minha mãe resolveu mudar para Minas para ajudar meus avós que moravam lá. (…) Aqui eu comecei a escutar RAP, com meus primos, os moleques da escola, mas foi quando eu fui para Minas, que era bem interior mesmo, é que eu me encontrei com o RAP, de querer ser [rapper], colocar as roupas e ficar na frente do espelho, querendo ser o Brown [Mano Brown, líder e um dos vocalistas do grupo Racionais MCs] que foi a minha primeira influência, com o disco ‘Sobrevivendo no Inferno’ e depois é que fui conhecer o RAP da ‘gringa’, Afrika Bambaataa e tal”.

É sabido que o “ritmo e poesia” (tradução para RAP – rhythm and poetry – em inglês) sustenta-se de letras que deflagram uma sociedade marcada por injustiças, sob a força de uma realidade “cruel”, como na própria linguagem dos rappers. Para o garoto, filho mais velho de pais separados, que “grita” livremente sobre bases eletrônicas, “sua infância não foi um mar de rosas, não” – como cantou Mano Brown em uma de suas músicas mais famosas, “O Homem na Estrada”.

Quando pergunto se alguma dificuldade da vida o influenciou, desabafa: “Sim, passei algumas coisas, é um clichê do RAP, mas a gente vem influenciado por essa geração que coloca para fora muito o lance do racismo, da afronta policial, os conflitos na rua, abandono do governo. Nos anos 90, que era muito difícil para quem morava na periferia. Daí quando eu me mudei para Minas Gerais, cheguei lá [e vi], meus primos andavam descalços, moleques de 11, 12 e 13 anos, a ‘barrigona’ desse tamanho [gesticula o inchaço da barriga dos garotos]… Então, era um descaso muito grande e ainda é. Eu penso sempre nisso, o lance da miséria, mas só é visto nos grandes centros e na favela. Daí você vai para o interior, roça, é uma parada absurda também, você diz ‘caramba, isso aqui ninguém olha mesmo’. Lá as pessoas olham e fingem que não existe, e aqui ninguém nem olha, tá ligado? Você tem que buscar lenha, porque não tem gás. Então muita coisa me influenciou.”

“Eu me lembro que eu gostava de DMN [grupo de RAP de São Paulo] e eles pregavam muito a auto estima e mesmo o Racionais MCs, antes do ‘Nada como um dia após o outro’, tem esse lance da auto estima, então eu sempre gostei muito desse tipo de RAP, justamente por causa dessa parada, porque eu acho que a auto estima é primordial na época para nós. São dificuldades que eu nem falo tão claramente na minha música, mas quem acompanha, entende um pouco, eu falo de outra forma e sem dúvida isso me influenciou muito.”

Em 2012, Rashid declarou ao jornal O Globo, do Rio de janeiro, que gostaria de “ver um rapper no patamar de Ivete Sangalo”. Pergunto a ele se esta cena atual do gênero já não alcançou o mesmo nível de respeito. Ele acredita que “não no nível da Ivete Sangalo, mas em um patamar grande de respeito. O Criolo [rapper paulistano que ficou popular com o nome de sua música ‘Não existe amor em SP’] conseguiu isso, já. Os Racionais MCs, acho que já tenha esse nível de respeito bem alto e o dia que acabar vai continuar sendo uma das maiores bandas da música popular brasileira – da música paulista já é. Mas acredito que a gente seja muito grande dentro dessa bolha underground [referência à independente], e Criolo e Emicida já estouraram essa bolha.”

Se analisarmos os perfis de redes sociais na internet de uma das artistas mais populares e mais bem pagas do Brasil – Ivete Sangalo – encontra-se a obviedade na expressão dos números: Mais de 11 milhões de “likes” no Facebook, 11 mil seguidores no Twitter e 2,53 milhões no Instagram. A cantora já possui 20 anos de carreira, 17 discos lançados (atingindo uma marca de 15 milhões de vendas), cinco DVDs, acumula a marca de 150 prêmios nacionais, alta exposição nas TVs abertas e muito requisitada por campanhas publicitárias, nicho ainda desconhecido pelo RAP.

Paralelamente ao hip hop, o funk, que já não se limita mais a uma manifestação exclusivamente suburbana, de desejo de consumo e liberdade sexual, cresce vertiginosamente sem qualquer tipo de barreira, de forma igualmente independente. E se eu penso que o “pancadão” ou o “ostentação” (subgêneros do funk) pode ser uma pedra no sapato do RAP, engano-me, como sugere o “versador” perfilado.

Em 2010, Rashid lançou “Hora de acordar”, o primeiro EP do rapper que, desde então, começou a fazer shows com o inseparável parceiro DJ Mr. Brown. A partir daí, a cada ano, Rashid lançava um novo CD, e a cada CD, surgiam novos fãs por todo o Brasil. Em 2011, o MC lançava a mixtape “Dádiva & Dívida”. Em 2012 lançou o disco “Que Assim Seja”, e em 2013, se consolida ainda mais no rap nacional, ao lançar sua última mixtape, “Confundindo Sábios”, que, além de contar com colaborações e participações especiais, liderou o ranking do iTunes durante uma semana.

A visibilidade do rap, supostamente é acompanhada também por um novo momento político no país, como sugere Michel: “O fato é que o Brasil mudou. Você chega numa quebrada e você um moleque de dez anos com celular, ouvindo um funk ou ouvindo um RAP. Em Minas eu me lembro de colocarem celofane [papel] na frente das TVs preto e branco, para dizerem que era colorido. Hoje em dia você entra numa casa e vê uma TV de led, som [aparelho], computador. Então com certeza esse momento político acaba influenciando”.

Quando digo que já ouvi a sua música numa rádio (105 FM – rádio popular de São Paulo especializada em RAP), ele me diz que “a Transcontinental [outra rádio especializada de São Paulo] também toca o nosso som às vezes, mas tem uma rádio grande no Rio Grande do Sul que também toca. Eu sei porque eu recebo os direitos [autorais] e o pessoal ainda diz nas redes sociais ‘olha, está tocando Rashid na rádio agora’, porque a gente tem muitos fãs por lá, também” [finaliza dando pistas de seu orgulho].

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Crédito das fotos: Daniela Rodrigues

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