E a inspiração?

Escrever um livro. Várias histórias na cabeça.

Mas antes, um computador novo. Pronto.

Inicia-se a escrita das histórias. Elas dormem. Salvar aqui para revisar depois.

Há várias histórias pela frente, e surgem mais algumas, quase que semanalmente. Notas necessárias.

Falta inspiração. E tempo.

Claro! Uma luminária nova. Feito.

Uma poltrona para ler, ótimo. A escrivaninha é perfeita. Música  e livro à disposição. É importante ter um ambiente agradável. Como se diz por aí, como aparece nos filmes, nos documentários.

Solidão necessária conquistada.

Algo está fora do lugar nesta casa e preciso arrumar, agora. Uma parafusadeira! Em cima da bicicleta inicia-se a busca. Pneu furado, mais tempo perdido.

Encontro com um amigo e algumas cervejas.

Solidão para inspirar. Bebida com amigos, poxa, faz tempo. Dia seguinte? Ressaca do caralho. Arrependimento. Deveria ter ficado em casa escrevendo.

Bem lembrado, a necessária tristeza. A tristeza inspira. Mas como? Mais bebida, o regresso do bêbado, o arrependimento.

Facebook, Twitter, e-mail, WhatsUp, pornografia, celular, compra de qualquer produto pela internet. Mais uns dias se passam… Nenhuma linha de qualquer que seja a história. Mas são tantas histórias boas!

Precisa definir prazo. Prazo? Se não tiver liberdade, é pressão, com pressão, sem inspiração.

Mas aquele quartinho dos fundos está uma zona. Uma dedicação especial ali e de repente, um novo canto de concentração. É isso.

Vem o eletricista, instala lâmpada nova, arruma tomada. Páginas de ilustrações da revista Zupi compõem a parede bege cor de hospício.

Organização da tralha em prateleiras, variadas leituras à disposição, incenso, maconha, sistema de som bom para ouvir jazz e o que mais trouxer inspiração (e motivação). Guitarra, violão, amplificador, cajon, porque é bom variar nas composições.

Meses se passam e este quarto nunca foi usado para o tal ofício de escrever. Toca-se violão, recebe-se amigos para algumas cervejas. Ah, sim, o Billy dorme lá, às vezes, quando está sozinho em casa.

Tem dias que este cômodo não é visitado.

Aonde está a inspiração? Novo trabalho, nova fase, ansiedade e concentração. Deixa esses textos pra lá. É luxo querer ser escritor agora.

Três meses se passam e nenhum número foi digitado, a não ser e-mails burocráticos, todos os dias.

Férias! E, imerso nelas, o contato com a natureza, a observação das pessoas, a cultura local, tudo fortalece a imaginação, e então, plim, as ideias fluem novamente. É sentar e escrever.

As principais histórias dessa viagem precisam ser contadas de forma muito interessante. Mas é difícil. São belos contos crônicos fictício-realistas para escrever. Tudo na minha cabeça, nada anotado. Histórias assim, não se perdem fácil.

Tanta coisa pra fazer nessa casa… Volta de férias não é fácil.

Retorno ao trabalho. Concentração. Processo de recuperação de dados e informação para que se possa trabalhar em paz, respeitar prazos, fazer valer estar ali. Saudades da Bahia.

Escritor e escrita devem entrar na rotina juntos. Rotina alterada. Ainda bem, quem gosta de rotina?

Coisas caseiras burocráticas para resolver. Muitas. Concentração nisso, uma coisa de cada vez, não se pode se entregar mais ainda à ansiedade.

E agora? Quando retomar? Onde estão as histórias?

A enfermidade. Quase grave, como nunca antes. A tristeza séria que faltava se manifesta em um texto, com o notebook no colo, com sono, frente a um enorme comprimido antibiótico com hora marcada.

E a inspiração?

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